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domingo, 23 de março de 2014

Orgasminho Poético

tuas palavras querem meu corpo
feito
de uniformes

não entendem que esse corpo dança
a magia 
dos unicórnios

(Poema de Lurya Grimm)

domingo, 14 de abril de 2013

A positividade do negativismo

Eu pensava que a falta de empatia das pessoas provinha da sua condição política, econômica e social favorável. Já esperava que um discurso discriminatório viesse de um homem, branco, de classe econômica superior e heterossexual.

Aí eu descobri que mulheres brancas e heterossexuais também promoviam posições discriminatórias, independente da sua classe econômica. Com o tempo, descobri que não-brancxs, heterossexuais, eram igualmente pouco empáticos. 

Já não mais me surpreendi, mas ainda me pus a indignar, quando descobri que não-brancxs, não heterossexuais, também detinham pouquíssima empatia com os demais, mesmo quando de classes econômicas desfavorecidas. Daí, então, dei-me por conta que empatia é característica de poucxs, e é exatamente isso que a faz tão bela... Decidi parar de me indignar com o óbvio, ter pouca expectativa sobre as pessoas e apenas me surpreender com ações positivas. 

Evidentemente, diante de ações negativas, continuo a indignar-me, embora isso não mais me entristeça com tanta força como antes. Eu poderia abraçar o discurso setentista do "viva rápido e morra jovem", contudo, saberia que isso seria fugir da luta... E a luta, amigxs, é a única coisa que me faz viver ultimamente. Por isso abraço-a. Por isso,

há braços. 


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Orgasminho #2

Resquícios de um niilismo reprimido.

A infância. Por toda a infância você vai aprender a seguir padrões, andar na linha... Fazer a coisa certa, como dizem, sabe? Muitas atitudes suas serão ignoradas, afinal de contas, você não é maduro o suficiente para compreender seu sentimento. Ninguém vai querer ouvir suas angústias. Ora, crianças lá vão ter motivos para ter angústias? Você vai aprender, finalmente, a engolir o choro e seguir em frente. Vai tirar notas boas, o que não vai ser mais do que sua obrigação. Vai fazer algo errado, e farão te fazer pensar que esse erro é o pior do mundo. Seus pais brigarão por você: não para tê-lo, mas para saber de quem é a culpa pelos seus erros. Não chegarão a uma resposta e você será considerado um monstro. Eles acordarão e fingirão que nada aconteceu, e se você não der bom dia com "uma cara bonita", ficará de castigo e não poderá ver seus amigos.

Ai você segue em frente. Termina o colégio - se conseguir chegar até lá - e todos ficam felizes... Só no dia da festa. No dia seguinte, mais cobranças. A roupa correta, as companhias decentes, os bons modos. O melhor lugar para estudar, é claro, também. Ou então o bom emprego. Ou simplesmente o emprego, para - sabem como é - não virar um vagabundo.Ou uma vagabunda. Aí você acorda de madrugada, num dia aleatório, e olha para trás. Descobre que não aprendeu direito a engolir o choro e... chora. Chora desesperadamente por descobrir que, ao contrário do que dizem os dramáticos, sua vida não foi uma mentira. (Se fosse uma mentira, você acordaria desse coma e passaria a ser feliz). Isso tudo foi simplesmente a verdade: você não é nada além do que permitiram que você fosse. E jamais será algo além disso. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Orgasminho #1

Eu odeio.

Eu odeio quando você me olha na rua.
Eu odeio o modo que você me encara.
Eu odeio quando você me olha e não sabe o que pensar.
Eu odeio a cara confusa que você faz quando passa por mim.
Eu odeio quando você resolve sua confusão gritando.
Eu odeio mais ainda os seus sussurros.
Eu odeio quando você sorri enquanto faz isso tudo.
Eu odeio o escárnio em sua voz.
Eu odeio quando você quer me machucar com palavras.

Eu odeio o fato de você conseguir.

Orgasminhos!

Queridxs leitorxs!

É com o coração cheio de orgulho, a cabeça cheia de ideias e o corpo inteiro tomado de prazer que apresentamos uma nova seção do blog do G8-G: os orgasminhos. Queremos compartilhar aqui pequenos pensamentos, frases, imagens, citações, sentimentos. Pequenos retalhos de pensamentos que, ainda que expressos em poucas palavras, mexam com a gente e, com sorte, mexam com vocês também. Vale falar de tudo: amor, dor, política, música, ódio, esperança. A regra é uma só: que seja intenso. Forte. Pulsante. Que seja, enfim, um orgasminho.